Bem vindo ao site da SPEA - sociedade portuguesa para o estudo de aves

Opções do site

Subscrever Newsletter

Outras opções do site

Pesquisar no site

Data actual

Principais opções do site

D
S
T
Q
Q
S
S
 
 
 
 
1
2
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
A Nossa Missão
A SPEA é uma ONG de ambiente sem fins lucrativos, que tem por missão trabalhar para o estudo e a conservação das aves e seus habitats, promovendo um desenvolvimento que garanta a viabilidade do património natural para usufruto das gerações futuras.
Home  > Arquivo
imprimir
Notícias


Portugal perde oportunidade de dar o exemplo na preservação da natureza e da saúde pública


Hoje, Portugal perdeu uma oportunidade de dar o exemplo em matéria de conservação da natureza e salvaguarda da saúde pública. A Assembleia da República decidiu hoje não proibir o diclofenac, um medicamento veterinário fatal para abutres e águias. Com esta decisão, que contraria uma resolução da própria Assembleia em abril passado, mantém-se viva uma séria ameaça a várias espécies protegidas e à saúde pública no país. Evitar o sério risco que este fármaco representa continua assim nas mãos da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que tem em apreciação um pedido de comercialização já há mais de 2 anos.

“Não se percebe como é que não é proibida uma substância que é perigosa e para a qual existem alternativas seguras” diz Joaquim Teodósio, coordenador do Departamento de Conservação Terrestre da SPEA. “Infelizmente, contra o bom senso e a precaução valeram os interesses políticos e a força dos números.”

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) está desde 2016 a avaliar um pedido de autorização de comercialização de um medicamento veterinário para uso pecuário contendo diclofenac. Exige-se agora à DGAV que, tendo em consideração o melhor conhecimento científico existente, e respeitando o princípio da precaução, não aprove este pedido de comercialização, evitando o consumar de um risco real, iminente e crítico para a conservação de várias espécies protegidas e o consequente impacto na saúde pública em Portugal.

Ao não proibir o diclofenac, os deputados falharam nas suas obrigações para com o povo português e descuraram os compromissos assumidos a nível internacional, de conservação da natureza. Ao não proibir este fármaco perigoso, Portugal arrisca-se – caso a DGAV autorize medicamentos contendo diclofenac - a deixar de ser um refúgio para espécies protegidas como o abutre-preto, o britango e a águia-imperial-ibérica, que estão ameaçadas a nível europeu e mundial, e das quais existem populações importantes no nosso país.

Existem outros anti-inflamatórios e analgésicos que são inócuos para estas aves, e que poderiam ser usados mesmo que o diclofenac fosse proibido.

“O resultado da votação de hoje deixa-nos perplexos e muito entristecidos. Portugal acabou de perder uma excelente oportunidade para dar um exemplo a toda a Europa”, diz Iván Ramírez, Diretor de Conservação da BirdLife Europe & Central Asia.

Desde 2014 que ONGA nacionais e internacionais têm vindo a alertar as autoridades competentes para os possíveis impactos deste medicamento sobre as aves necrófagas (abutres e algumas espécies de águias), tendo apelado ao Governo Português para que não autorize a utilização desta substância em território nacional ao nível da pecuária.

No seguimento destas preocupações, a Assembleia da República aprovou em abril de 2018 o Projeto de Resolução 1433/XIII apresentado pelo PAN, que recomenda ao Governo Português que não autorize a comercialização de medicamentos veterinários com diclofenac. A decisão de hoje contraria esta resolução, abrindo a porta a que o diclofenac venha a ser usado na atividade pecuária nacional.

“Estamos desiludidos com esta decisão, que não serve nem as aves nem as pessoas, e pela qual podemos todos vir a pagar caro. Os abutres têm um papel importantíssimo no controlo de doenças nos nossos campos – sem eles, corremos o risco de enfrentar graves problemas de saúde pública”, diz Joaquim Teodósio, coordenador do Departamento de Conservação Terrestre da SPEA. “Resta-nos agora esperar que a DGAV decida a favor da saúde dos nossos campos.”


11 de janeiro de 2019

>Peritos em abutres pedem proibição global do diclofenac veterinário
>Conservação de abutres e águias no Douro Internacional - projeto Life Rupis


voltar


Política de privacidade, adicione aos favoritos, sugira este site © 2010 spea - Todos os direitos reservados.
Seara.com